Existe uma condição que afeta uma parcela expressiva dos idosos, que está diretamente ligada a quedas e hospitalizações, e que raramente é investigada de forma sistemática nas consultas de rotina: a hipotensão postural. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, inclui a avaliação da hipotensão postural como parte da investigação de risco de quedas que realiza em seus pacientes. Isso porque essa queda brusca da pressão arterial ao mudar de posição consiste em um fenômeno fisiológico com raízes clínicas identificáveis e consequências evitáveis
Ao longo deste artigo, você vai entender o que é essa condição, por que ela é perigosa e como prevenir suas consequências. Acompanhe!
O que é hipotensão postural e por que ela afeta tanto os idosos?
Hipotensão postural ocorre quando a pressão arterial cai de forma abrupta ao levantar de uma posição deitada ou sentada, produzindo tontura, visão escurecida e, nos casos mais graves, perda de consciência. No idoso, vários fatores se combinam para tornar esse fenômeno mais frequente e mais intenso: os mecanorreceptores que regulam a pressão ficam menos sensíveis com o envelhecimento, o sistema cardiovascular responde com mais lentidão às mudanças posturais e a desidratação crônica reduz o volume sanguíneo circulante.
Yuri Silva Portela aponta que o problema se torna particularmente grave quando associado ao uso de medicamentos anti-hipertensivos, diuréticos, antidepressivos ou medicamentos para a próstata, todos comuns entre idosos. Dessa forma, essa combinação de fatores fisiológicos e farmacológicos cria um cenário de risco elevado que pode ser drasticamente reduzido com avaliação clínica adequada e ajustes simples.

O horário de maior risco é a madrugada e o início da manhã, quando o idoso se levanta para ir ao banheiro. Nesse momento, a pressão já está naturalmente mais baixa, o sistema cardiovascular está em repouso e a transição postural é brusca. Quedas noturnas com consequências graves têm esse mecanismo como causa frequente e evitável.
Como identificar e avaliar a hipotensão postural no idoso?
A avaliação é simples e deveria ser rotineira. Ela consiste em medir a pressão arterial do paciente em três momentos: deitado, após um minuto em pé e após três minutos em pé. Uma queda de vinte milímetros de mercúrio na pressão sistólica ou de dez na diastólica configura hipotensão postural. Esse teste ocupa menos de cinco minutos e tem impacto clínico significativo sobre o manejo do paciente.
De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, a hipotensão postural é frequentemente o diagnóstico que explica quedas que pareciam sem causa aparente, tonturas que o paciente relatava há meses sem que fossem investigadas e episódios de escurecimento visual ao levantar que eram naturalizados como parte do envelhecimento. Portanto, identificá-la muda o plano de tratamento de forma imediata.
Quais ajustes clínicos reduzem o risco?
As intervenções são práticas e acessíveis. Posto que orientar o idoso a levantar-se lentamente, em etapas, sentando-se primeiro antes de ficar em pé, já reduz significativamente os episódios sintomáticos. Além disso, garantir hidratação adequada ao longo do dia melhora o volume circulante. Revisar os medicamentos em uso e ajustar horários e doses de anti-hipertensivos pode ser suficiente para resolver o problema.
Assim como destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, a hipotensão postural é investigada na avaliação de risco de quedas realizada pelos fisioterapeutas e médicos do projeto. Muitos idosos atendidos nunca tinham ouvido falar sobre essa condição, mas reconhecem imediatamente os sintomas quando ela é descrita. Esse reconhecimento é o primeiro passo para a prevenção.
Tontura ao levantar não é normal, é tratável
O doutor Yuri Silva Portela reforça que nenhuma tontura ao mudar de posição deve ser aceita como inevitável. Relate ao médico, solicite avaliação específica e revise os medicamentos em uso. Esse cuidado pode prevenir a próxima queda antes que ela aconteça.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez