Recentemente, a médica Mayra Suzanne Garcia Valladão, especializada em ginecologia e saúde íntima da mulher, tem sido investigada pela Polícia Civil por homicídio culposo após a morte da defensora pública Geana Aline de Souza. O caso, que ocorreu em Boa Vista, no estado de Roraima, gerou grande repercussão na mídia e na comunidade local. A morte de Geana, de 39 anos, aconteceu sete dias após a tentativa de inserção de um dispositivo intrauterino (DIU), realizado pela médica. A polícia investiga se a médica agiu com negligência, imperícia ou imprudência durante o procedimento.
O caso começou no dia 18 de março de 2025, quando Geana procurou a médica Mayra Suzanne Garcia Valladão para a tentativa de inserção do DIU. O procedimento, no entanto, foi interrompido sem maiores explicações sobre o motivo. Após a consulta, a defensora começou a sentir febre e dores intensas, sintomas que indicavam uma possível complicação infecciosa. O quadro de Geana se agravou e, uma semana depois, ela faleceu devido a uma infecção generalizada, que resultou em falência de múltiplos órgãos. A infecção teve início no colo do útero e se espalhou pelo corpo, levando a um estado de saúde irreversível.
Diante da gravidade da situação, a Polícia Civil iniciou uma investigação sobre as circunstâncias do procedimento. A principal linha de investigação é de homicídio culposo, ou seja, quando há morte causada sem a intenção deliberada, mas por possível negligência, imperícia ou imprudência por parte da médica. A delegada responsável pelo caso, Jéssica Muniz, detalhou que uma das medidas adotadas pela polícia foi a solicitação de uma inspeção do consultório da médica, realizada em conjunto com a Vigilância Sanitária Estadual e Municipal. O objetivo da inspeção foi verificar se os equipamentos utilizados no procedimento seguiam as normas de biossegurança e se estavam em condições adequadas.
A infecção grave que levou à morte de Geana gerou grande comoção, especialmente entre colegas de profissão e familiares. Segundo a família da vítima, o quadro infeccioso evoluiu rapidamente e causou falência dos rins e do fígado, órgãos vitais que não resistiram à infecção. Geana foi atendida em um hospital particular de Boa Vista, mas seu estado de saúde era crítico e ela não resistiu aos danos causados pela infecção generalizada. A morte da defensora levantou dúvidas sobre a qualidade do atendimento recebido e a segurança do procedimento realizado pela médica Mayra.
Além da investigação criminal, o caso também trouxe à tona discussões sobre a prática de procedimentos ginecológicos e os riscos associados à inserção de DIU. Embora o DIU seja um método contraceptivo amplamente utilizado e considerado seguro, complicações podem ocorrer, especialmente quando há falhas técnicas durante o procedimento ou se o paciente não recebe os cuidados adequados no pós-operatório. A questão da biossegurança também se tornou central, já que um procedimento mal conduzido ou em condições inadequadas pode resultar em sérios danos à saúde do paciente, como ocorreu no caso de Geana.
A morte de Geana Aline de Souza também despertou o interesse da comunidade jurídica, que expressou lamento pela perda de uma profissional que atuava com afinco em sua área. Geana era uma defensora pública que dedicou sua vida à defesa dos direitos dos mais vulneráveis. Sua morte prematura gerou um sentimento de revolta e tristeza, principalmente entre aqueles que conheciam seu trabalho e sua dedicação à justiça social. Agora, a investigação busca esclarecer se houve erro médico ou se o procedimento realizado pela médica foi negligente de alguma forma.
A médica Mayra Suzanne Garcia Valladão, por sua vez, se pronunciou publicamente em suas redes sociais, mas ainda não se posicionou oficialmente sobre as acusações de homicídio culposo. A Polícia Civil aguarda um retorno da profissional para que ela possa se defender das acusações e explicar os detalhes do procedimento realizado. Enquanto isso, o caso segue sendo investigado, e a vigilância das autoridades competentes continuará a ser fundamental para esclarecer as causas da morte de Geana.
Este caso serve como um alerta para a importância da prática médica responsável, especialmente em procedimentos ginecológicos que exigem cuidados minuciosos e adequados. A investigação do homicídio culposo contra a médica Mayra Suzanne Garcia Valladão reflete o rigor necessário para garantir que as ações profissionais sejam realizadas de forma ética e dentro dos padrões estabelecidos pela medicina. Assim, a sociedade aguarda o desfecho deste caso trágico, que traz à tona questões de segurança no atendimento médico e a responsabilidade dos profissionais da saúde perante os pacientes.
Autor: Mikeal Harven