Diretor do Detur destaca corridas na Serra do Tepequém e experiências em comunidades indígenas como diferenciais do estado na nova edição da revista Tendências do Turismo
Quem pensa em viajar para o extremo norte do Brasil e busca algo além das praias e dos roteiros urbanos mais conhecidos tem encontrado em Roraima um destino cada vez mais discutido nos bastidores do turismo nacional. A edição 2026 da revista Tendências do Turismo, publicada pelo Ministério do Turismo, aponta o crescimento do turismo esportivo, a busca por conexão com a natureza e o interesse por experiências autênticas como as principais apostas do setor no país, e Roraima aparece justamente entre os estados que já reúnem esses três ingredientes. Do trekking rumo ao Monte Roraima às corridas na Serra do Tepequém, passando pelo etnoturismo em comunidades indígenas, o estado tenta transformar sua paisagem única em um produto turístico mais estruturado. Veja o que está por trás dessa avaliação e quais projetos o governo estadual está tocando para sustentar esse crescimento.
Por que Roraima aparece entre as tendências do turismo nacional
Segundo Bruno Muniz, diretor do Departamento de Turismo (Detur) da Secretaria Estadual de Cultura e Turismo, um dos destaques do estado está no turismo esportivo, puxado por eventos como a Corrida 9 de Julho, em Boa Vista, que já integra um circuito nacional de provas. A região da Serra do Tepequém também vem ganhando espaço no calendário, com competições como a Tepequém UP, prevista para setembro, atraindo visitantes de fora do estado e movimentando o trade turístico local, formado por agências, guias e prestadores de serviço que vivem diretamente dessas visitas.
O segundo pilar apontado pela revista do Mtur é o turismo de natureza, que Muniz descreve como uma vocação natural do estado. Roraima vem se consolidando como referência nacional em ecoturismo, etnoturismo em terras indígenas e turismo de aventura, categoria em que o trekking ao Monte Roraima, tepui que forma a tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, segue como o principal cartão postal. Segundo o diretor do Detur, as paisagens naturais e a biodiversidade da região funcionam como diferenciais que reforçam esse posicionamento em um mercado cada vez mais disputado entre os estados brasileiros que investem em turismo de natureza.
As experiências em comunidades indígenas que têm ganhado destaque
O terceiro eixo das tendências apontadas pelo Ministério do Turismo é o interesse crescente por vivências autênticas, e aqui Roraima aposta nas experiências desenvolvidas junto a comunidades tradicionais. Iniciativas como as oferecidas na comunidade do Kauwê, em Pacaraima, e na Raposa I, em Normandia, valorizam saberes ancestrais e permitem ao visitante um contato mais próximo com a cultura local, indo além do roteiro tradicional de paisagens naturais. Segundo o Detur, novos projetos estão em desenvolvimento nas comunidades do Taxí, também em Pacaraima, e de Flexal, em Uiramutã, com foco em ecoturismo e observação de aves, o que amplia o leque de opções para quem busca esse tipo de experiência no estado.
Bruno Muniz também destacou que o estado tem observado avanços na inclusão de novos públicos, com iniciativas voltadas à acessibilidade, incluindo projetos direcionados a pessoas com transtorno do espectro autista. Segundo ele, esse tipo de ação amplia o alcance das políticas públicas de turismo e diversifica a oferta, mostrando que o setor em Roraima não está limitado a um único perfil de visitante. Ainda assim, o diretor pondera que os resultados observados no curto e no médio prazo não dispensam um planejamento contínuo, já que a consolidação do setor depende da manutenção das políticas públicas, da qualificação profissional dos envolvidos e da organização estratégica das ações ao longo dos próximos anos.
O papel do planejamento estadual e da integração com a Amazônia Legal
Para dar sustentação a esse conjunto de iniciativas, o governo de Roraima conta com o Plano Estadual de Turismo 2030, descrito por Muniz como uma ferramenta dinâmica, capaz de se adaptar às demandas do mercado nacional e internacional. O documento tem respaldo na legislação estadual, que o estabelece como instrumento prioritário para orientar o desenvolvimento do setor, servindo de referência para os investimentos e as parcerias que vêm sendo firmadas nos últimos anos.
Outra frente destacada pelo diretor do Detur é a integração regional por meio das Rotas Amazônicas Integradas (RAI), iniciativa criada em 2021 que reúne estados da Amazônia Legal em ações conjuntas voltadas à promoção do turismo em feiras internacionais. Segundo Muniz, a RAI representou um divisor de águas para Roraima, ao aproximar o estado de outras regiões do Norte do país em estratégias de divulgação conjunta no exterior. A recente integração da iniciativa ao Consórcio da Amazônia Legal deve ampliar ainda mais esse alcance, incluindo diálogos com estados como Maranhão e Mato Grosso, que também fazem parte do consórcio. Para quem acompanha o setor de perto, esses movimentos sugerem que Roraima está tentando sair da condição de destino pouco explorado para ocupar um espaço mais relevante no mapa do turismo de natureza brasileiro, ainda que os resultados mais consistentes dependam da continuidade das políticas em andamento.
Fonte consultada:
Portal Boa Vista: https://www.portalbv.com.br/2026/04/tendencias-2026-roraima-se-destaca-mais.html