Boletim da Defesa Civil mostra recuo nos bloqueios causados pela cheia dos rios, porém cinco comunidades indígenas de Bonfim seguem sem acesso após queda de ponte
Depois de dois meses de chuvas intensas, moradores de Roraima querem saber se a situação já voltou ao normal ou se ainda há risco de novos bloqueios nas estradas do estado. O Boletim Situacional mais recente, divulgado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC), traz uma resposta parcial: o número de pontos críticos caiu de 71, registrados em meados de junho, para 37, distribuídos em 12 municípios. Apesar da melhora, 12 bloqueios totais e nove parciais continuam interrompendo rodovias, vicinais, pontes e o acesso a comunidades indígenas. A Operação Apoio Imediato, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), segue distribuindo cestas básicas, água potável e kits de higiene às famílias atingidas. A seguir, entenda o que motivou a queda nos números, quais regiões ainda enfrentam isolamento e como o governo estadual está organizando a resposta emergencial.
O que mostra o novo boletim da Defesa Civil
O documento mais recente, elaborado pela CEPDEC em conjunto com o CBMRR, aponta uma redução expressiva na quantidade de pontos críticos ativos no estado. Segundo o coronel Anderson Carvalho de Matos, comandante-geral da corporação, as chuvas têm diminuído de intensidade, mas ainda provocam episódios pontuais que exigem baldeação, ou seja, o transporte de pessoas e cargas entre trechos interrompidos por meio de outro veículo ou embarcação. Ele destacou que os pontos de bloqueio total ou parcial se concentram principalmente nos municípios de Uiramutã, Normandia e Bonfim, que segundo ele exigem atenção redobrada do governo estadual.
Os dados do Censipam, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, indicam que os níveis dos principais rios monitorados estão em queda. O rio Branco registrava 4,38 metros na Estação de Boa Vista, valor abaixo da média mensal de 5,34 metros e bem distante da máxima histórica do período, de 10,28 metros. Já o rio Cotingo, em Uiramutã, marcava 2,18 metros, também abaixo da média mensal. Mesmo assim, o acumulado de chuvas dos últimos 35 dias em Boa Vista ficou acima da normal climatológica nas duas estações de medição da capital, o que ajuda a explicar por que alguns pontos ainda permanecem sensíveis a novos alagamentos, ainda que o cenário geral esteja em melhora gradual.
Quais municípios ainda sofrem com o isolamento
Entre as localidades mais afetadas, Uiramutã e Normandia concentram o maior número de pessoas atingidas. Em Uiramutã, 17.154 pessoas foram impactadas pelas chuvas, com o acesso pela rodovia RR-171 comprometido. Em Normandia, o número chega a 16.323 pessoas atingidas, com a BR-401 parcialmente interditada. Já em Bonfim, a situação tem um agravante particular: cinco comunidades indígenas seguem isoladas depois que uma ponte na região do Jacamim foi destruída pela força da água, o que impede o deslocamento normal de moradores e o transporte de suprimentos até que uma solução definitiva seja encontrada.
No total, o boletim estima que 38.131 pessoas foram diretamente afetadas pelas chuvas severas dos últimos dois meses em todo o estado. Diante desse cenário, 11 municípios decretaram situação de emergência. Seis deles (Bonfim, Uiramutã, São Luiz do Anauá, Alto Alegre, Mucajaí e Normandia) já tiveram o status reconhecido pelo Governo Federal, o que costuma agilizar o repasse de recursos e o acesso a linhas de crédito emergenciais. Outros cinco municípios (Rorainópolis, Amajari, Caracaraí, Iracema e Caroebe) ainda aguardam o reconhecimento nacional, etapa que depende de análise da União sobre a documentação enviada pelas prefeituras e pelo governo estadual.
Como está a resposta do governo estadual
A Operação Apoio Imediato, iniciada em 30 de maio, já soma um volume expressivo de atendimentos. Segundo o boletim, 18.026 pessoas foram diretamente auxiliadas desde o começo das ações. Os números incluem a entrega de 3.715 cestas básicas, 230 filtros ecológicos, 10.620 litros de água potável e 513 conjuntos de rede e mosquiteiro, além da baldeação de 2.246 pessoas em pontos de bloqueio total. Para dar conta da logística em uma área tão extensa, a operação conta com 21 viaturas cedidas por diferentes secretarias estaduais, com motoristas próprios, além de um helicóptero disponibilizado pela Casa Militar.
O coronel Anderson Carvalho de Matos explicou que a mobilização reúne várias frentes do governo trabalhando de forma integrada. Segundo ele, o helicóptero tem sido essencial para alcançar pontos que ficaram completamente isolados pela destruição de pontes e pela interdição de estradas, permitindo o envio rápido de mantimentos e o resgate de moradores em situação mais crítica. A expectativa da Defesa Civil é que, com a redução gradual das chuvas, o número de pontos críticos continue caindo nas próximas semanas, embora o órgão reforce que o monitoramento dos rios e das comunidades isoladas deve permanecer constante até a normalização completa do acesso em todos os municípios afetados.
Para quem vive nas regiões mais isoladas de Roraima, a melhora nos números representa um alívio parcial, mas ainda não significa o fim das dificuldades no dia a dia. Enquanto a ponte de Jacamim não é reconstruída e o reconhecimento federal de emergência não chega aos cinco municípios pendentes, famílias em Bonfim, Uiramutã e Normandia continuam dependendo da baldeação e da entrega de suprimentos pela Operação Apoio Imediato. O acompanhamento dos boletins semanais da Defesa Civil segue como a forma mais confiável de entender a evolução da crise e planejar deslocamentos pelas rodovias do estado.
Fontes consultadas:
Governo de Roraima (Portal SECOM/RR): https://portal.rr.gov.br/boletim-aponta-queda-no-numero-de-pontos-criticos-causados-pelo-periodo-chuvoso-em-roraima/