Justiça Eleitoral determina que sites, redes sociais e canais de mensagens usados por campanhas sejam informados e mantidos sob fiscalização.
A campanha eleitoral de 2026 em Roraima ganhou uma nova preocupação para candidatos, partidos e equipes de comunicação: o controle dos canais utilizados na internet. Em alerta divulgado nesta segunda-feira (7), o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) reforçou que sites, blogs, perfis em redes sociais, páginas e canais de aplicativos de mensagens usados para propaganda eleitoral precisam ser comunicados à Justiça Eleitoral. A medida tem efeito direto sobre uma campanha que ocorre cada vez mais no ambiente digital e chega em um momento decisivo do calendário, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro. Para o eleitor roraimense, a mudança também é relevante porque facilita a identificação dos canais oficiais das candidaturas e amplia as possibilidades de fiscalização de conteúdos irregulares. A dúvida, portanto, não é apenas o que os candidatos podem publicar, mas como a Justiça pretende acompanhar aquilo que circula nas redes durante a disputa. (Justiça Eleitoral)
Quais canais de campanha precisam ser informados ao TRE-RR
A orientação do TRE-RR alcança praticamente toda a estrutura digital que uma candidatura pode utilizar para divulgar propostas e pedir votos. Isso inclui sites oficiais, blogs, perfis em redes sociais, páginas públicas, canais de aplicativos de mensagens e outras plataformas semelhantes. Segundo o tribunal, os endereços eletrônicos devem ser informados no momento do registro da candidatura e permanecer atualizados durante todo o período eleitoral. Se um novo canal for criado durante a campanha, as regras nacionais determinam que o endereço seja comunicado à Justiça Eleitoral em até 24 horas. (Justiça Eleitoral)
Na prática, a regra significa que uma campanha não deve simplesmente abrir uma nova página ou canal e começar a utilizá-lo como ferramenta oficial sem comunicar a Justiça Eleitoral. O objetivo é criar uma espécie de rastreabilidade dos espaços digitais utilizados pelas candidaturas, permitindo que órgãos de fiscalização saibam quais endereços estão vinculados formalmente à campanha. O TRE-RR também alerta que a utilização de perfis, páginas ou endereços não informados pode resultar em penalidades previstas na legislação eleitoral, inclusive multas para candidatos e responsáveis pela propaganda. Para quem acompanha a eleição em Boa Vista ou no interior, isso cria uma referência importante: quanto mais clara for a identificação dos canais oficiais, menor tende a ser a dificuldade para diferenciar comunicação eleitoral regular de páginas falsas ou conteúdos atribuídos indevidamente a candidatos. (Justiça Eleitoral)
Por que a regra ganhou importância nas eleições de Roraima
O controle da propaganda digital se tornou especialmente relevante em 2026 porque a legislação eleitoral passou a tratar com maior detalhamento de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial. As normas do Tribunal Superior Eleitoral determinam, por exemplo, que conteúdos sintéticos usados em propaganda eleitoral sejam identificados de maneira explícita quando houver utilização de IA ou tecnologia equivalente. A regulamentação também proíbe deepfakes utilizados para favorecer ou prejudicar candidaturas e estabelece consequências eleitorais para determinadas formas de manipulação capazes de comprometer a integridade do pleito. (Justiça Eleitoral)
Para Roraima, onde a disputa pelo Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa ocorre simultaneamente, o ambiente digital pode ter peso significativo na formação da opinião do eleitor. O TRE-RR registrou 394 pedidos de candidatura para as eleições deste ano, incluindo cinco nomes para o Governo, 13 para as duas vagas ao Senado, 105 para oito cadeiras na Câmara Federal e 240 para 24 vagas na Assembleia, segundo dados divulgados em agosto. Esse número ajuda a dimensionar o volume potencial de conteúdo político que pode circular nas redes durante a campanha. Em um cenário com centenas de candidaturas, a identificação dos canais oficiais e o acompanhamento das regras de propaganda tornam-se ferramentas importantes tanto para fiscalização quanto para o próprio eleitor. (Jusbrasil)
Outro ponto importante é que a regra não significa que o eleitor esteja proibido de compartilhar opiniões políticas ou conversar sobre candidatos em suas próprias redes. A regulamentação diferencia os canais das candidaturas e partidos das manifestações espontâneas de pessoas físicas, além de estabelecer limites específicos para impulsionamento, disparos em massa e outras formas de propaganda. O TSE prevê que propaganda eleitoral na internet pode ocorrer em sites, redes sociais e aplicativos de mensagens, desde que respeitadas as exigências legais, enquanto conteúdos produzidos por usuários comuns possuem tratamento próprio. Por isso, o principal efeito da orientação do TRE-RR é aumentar a responsabilidade de quem administra canais oficiais e profissionais de campanha, e não impedir o debate político cotidiano entre os eleitores. (Justiça Eleitoral)
O que o eleitor de Roraima deve observar até outubro
Para quem vai votar em Roraima, a nova orientação oferece uma utilidade prática: prestar atenção à origem das informações recebidas pela internet. Durante uma eleição com grande quantidade de candidatos, vídeos, mensagens, montagens, pesquisas e promessas podem circular rapidamente por grupos de mensagens e redes sociais, muitas vezes sem identificação clara de quem produziu o conteúdo. A existência de canais oficialmente comunicados à Justiça Eleitoral não transforma automaticamente toda publicação em informação verdadeira, mas ajuda a estabelecer uma referência sobre quais espaços pertencem formalmente às campanhas. O eleitor continua precisando verificar informações, comparar propostas e desconfiar de conteúdos que tentem provocar reação imediata sem apresentar fonte ou contexto. (Justiça Eleitoral)
Também é importante observar que a Justiça Eleitoral está tratando a internet como parte efetiva do processo eleitoral, e não como um espaço separado da campanha tradicional. O TSE informa que as regras de 2026 foram atualizadas para enfrentar desinformação, regular inteligência artificial e estabelecer critérios para a propaganda digital. Entre as normas estão a necessidade de identificação de determinados conteúdos produzidos por IA, restrições ao uso de deepfakes e exigências para propaganda impulsionada. Para o eleitor roraimense, isso significa que denúncias e irregularidades relacionadas ao ambiente digital podem fazer parte da fiscalização eleitoral e que conteúdos aparentemente inofensivos podem ter consequências quando ultrapassam os limites estabelecidos pela legislação. (Justiça Eleitoral)
O calendário também ajuda a explicar a urgência do alerta. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro, e Roraima seguirá o horário oficial de Brasília para a organização da votação, embora as urnas funcionem das 7h às 16h no horário local. O estado ainda terá uma disputa particularmente movimentada, depois de uma eleição suplementar realizada em junho e em meio à definição das candidaturas para o mandato regular. Nesse contexto, a comunicação política digital deve ganhar intensidade nas próximas semanas, aumentando também a necessidade de atenção sobre quem publica, de onde vem a informação e se aquele canal está efetivamente vinculado à campanha. (Justiça Eleitoral)
A orientação do TRE-RR representa, portanto, mais uma etapa de preparação para uma eleição em que a disputa política acontecerá tanto nas ruas de Boa Vista e dos municípios quanto nas telas dos celulares. Para candidatos, a principal consequência é a necessidade de manter organizada e atualizada toda a estrutura digital utilizada na campanha. Para o eleitor, a mudança reforça a importância de identificar canais oficiais, desconfiar de conteúdos manipulados e buscar informações em diferentes fontes antes de formar sua decisão. Com o primeiro turno se aproximando, acompanhar as regras eleitorais deixou de ser apenas uma preocupação dos partidos e passou a ser também uma ferramenta de proteção do próprio eleitor. Em Roraima, onde centenas de candidaturas disputarão espaço e atenção, informação verificável será um dos principais instrumentos para atravessar a campanha com mais segurança. (Justiça Eleitoral)