Crescimento do uso da internet entre pessoas com 60 anos amplia autonomia financeira, mas também exige atenção redobrada com fraudes digitais.
A tecnologia está mudando uma rotina que durante muito tempo dependeu de atendimento presencial: a relação dos idosos com bancos e serviços financeiros. Em Roraima, o avanço do acesso à internet entre pessoas com 60 anos ou mais começa a ampliar a utilização de aplicativos bancários, Pix, pagamentos digitais e consultas de conta pelo celular. Dados recentes do IBGE mostram que 74,5% dos brasileiros nessa faixa etária acessaram a internet em 2025, avanço de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Entre os idosos que utilizam a rede, 74,2% recorreram a serviços bancários ou financeiros digitais, segundo levantamento citado em reportagem publicada em setembro sobre o cenário roraimense. (Rádio Monte Roraima FM) O movimento representa mais autonomia para quem vive em Boa Vista e nos municípios do interior, mas traz uma pergunta importante: como aproveitar a praticidade dos bancos digitais sem aumentar a exposição a golpes?
Por que os serviços bancários digitais estão ganhando espaço entre idosos de Roraima
A expansão dos serviços digitais pode representar uma mudança significativa para pessoas idosas que precisam resolver tarefas financeiras sem enfrentar deslocamentos, filas ou limitações de horário. Pelo celular, é possível consultar saldo, pagar contas, fazer transferências, utilizar o Pix e acompanhar movimentações sem precisar ir até uma agência. Em um estado territorialmente extenso como Roraima, essa conveniência pode ser ainda mais relevante para moradores que vivem fora de Boa Vista ou precisam percorrer longas distâncias para acessar determinados serviços. O IBGE estima que Roraima tinha 738.772 habitantes em 2025, distribuídos por uma área de mais de 223,5 mil quilômetros quadrados, o que ajuda a dimensionar os desafios de acesso físico a serviços.
O crescimento da conectividade também muda a relação do idoso com a própria autonomia financeira. Em vez de depender necessariamente de familiares para consultar uma conta ou realizar um pagamento, o usuário pode executar a operação diretamente pelo aplicativo, desde que tenha familiaridade com a ferramenta e mantenha seus mecanismos de segurança ativos. Essa transformação, porém, não significa que todos tenham o mesmo nível de conhecimento digital, e dificuldades com senhas, autenticação, links e mensagens suspeitas continuam sendo obstáculos. Por isso, a inclusão digital precisa caminhar junto com educação financeira e orientação sobre segurança, especialmente para quem começou a utilizar aplicativos bancários recentemente. A tecnologia pode facilitar a vida, mas seu benefício depende de o usuário compreender minimamente o funcionamento das ferramentas.
Quais golpes digitais exigem mais atenção no uso do Pix e do celular
O aumento das operações digitais também amplia a importância de reconhecer abordagens fraudulentas. Golpistas podem se passar por funcionários de bancos, parentes, empresas ou instituições públicas para convencer a vítima a fornecer senhas, códigos, dados pessoais ou realizar transferências. O Banco Central recomenda desconfiar de situações que envolvam pressão, urgência ou promessas de vantagens e orienta o usuário a conferir cuidadosamente o nome do beneficiário antes de confirmar uma transação. A instituição também recomenda ativar notificações e alertas do banco para acompanhar movimentações em tempo real. (bcb.gov.br)
Um cuidado particularmente importante envolve mensagens recebidas por aplicativos de conversa. Uma pessoa pode receber uma ligação dizendo que existe um problema na conta, um pedido urgente de dinheiro de alguém conhecido ou até uma suposta solicitação do banco para “cancelar” uma operação. A orientação é não clicar imediatamente em links, não compartilhar códigos de autenticação e jamais informar senha bancária pelo telefone ou por mensagem. Caso um golpe envolvendo Pix aconteça, o Banco Central orienta a vítima a procurar imediatamente a instituição financeira e solicitar a contestação da transação, além de registrar um boletim de ocorrência; o Mecanismo Especial de Devolução pode ser acionado nos casos de fraude, embora a recuperação dependa da análise e da existência de recursos na conta envolvida. (bcb.gov.br)
Como idosos podem usar aplicativos bancários com mais segurança em Roraima
A primeira medida é simplificar a rotina digital. O idoso pode manter o aplicativo bancário atualizado, utilizar bloqueio de tela no celular, evitar instalar programas enviados por desconhecidos e ativar todas as notificações de movimentação oferecidas pela instituição. Também é recomendável conferir o destinatário antes de qualquer Pix, mesmo quando a transferência parece urgente ou quando a pessoa que solicita o pagamento afirma ser conhecida. O Banco Central destaca que a conferência dos dados antes da confirmação é uma das práticas que ajudam a reduzir erros e tentativas de fraude. (bcb.gov.br)
Familiares também podem contribuir sem retirar a autonomia do usuário. Em vez de assumir completamente o controle das contas, é possível ensinar como verificar o saldo, reconhecer o aplicativo oficial do banco, conferir o nome do recebedor e identificar mensagens suspeitas. Para moradores do interior de Roraima, onde o acesso presencial a determinados serviços pode ser mais difícil, esse conhecimento pode fazer diferença no cotidiano. A tendência é que a digitalização continue avançando, inclusive com maior integração entre serviços públicos, comércio e instituições financeiras, tornando a alfabetização digital uma habilidade cada vez mais importante para diferentes gerações.
A expansão da tecnologia entre idosos em Roraima mostra que inclusão digital não significa apenas disponibilizar internet ou smartphones. É preciso garantir que as pessoas consigam utilizar essas ferramentas com autonomia, segurança e compreensão dos riscos envolvidos. O crescimento do uso de serviços bancários pela internet oferece praticidade e pode reduzir deslocamentos, especialmente em um estado de grandes distâncias territoriais. Ao mesmo tempo, golpes digitais tornam indispensável uma rotina de cuidados simples, como conferir destinatários, desconfiar de urgências e nunca compartilhar senhas ou códigos. Para quem está começando a utilizar o banco pelo celular, aprender a reconhecer uma fraude é tão importante quanto aprender a fazer um Pix.