Sistema de pré-triagem promete organizar o atendimento e pode mudar a experiência de quem procura unidades básicas na capital.
Uma novidade tecnológica implantada recentemente na rede municipal de saúde de Boa Vista chama atenção para uma questão cada vez mais presente no cotidiano dos moradores: como a tecnologia pode tornar o atendimento pelo SUS mais rápido e organizado? Desde 14 de agosto, 21 totens de autoatendimento começaram a ser instalados em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital para auxiliar na pré-triagem dos pacientes. A ferramenta coleta informações de saúde e permite o acompanhamento de indicadores, ajudando as equipes a compreender melhor a situação de quem chega à unidade. A iniciativa ocorre em um momento em que a digitalização dos serviços públicos avança em diferentes áreas e pode ter impacto especialmente para pessoas que precisam de atendimento frequente. (Roraima em Tempo)
Como funcionam os novos totens inteligentes instalados nas UBSs de Boa Vista
Os equipamentos implantados pela Prefeitura de Boa Vista funcionam como uma etapa inicial de coleta de informações antes do atendimento realizado pelos profissionais de saúde. Segundo as informações divulgadas sobre a implantação, a pré-triagem pode ser realizada em aproximadamente três minutos e permite acompanhar até nove indicadores relacionados à saúde do usuário. A proposta é reunir informações de maneira padronizada para ajudar as equipes a identificar necessidades e organizar o fluxo dentro das unidades. Na prática, isso significa que o equipamento não substitui a avaliação profissional, mas atua como uma ferramenta de apoio para o processo de acolhimento. (Roraima em Tempo)
A tecnologia também pode ser útil para a gestão da saúde pública, porque informações coletadas de forma organizada ajudam a identificar padrões e necessidades da população atendida. Esse tipo de recurso se soma a outras iniciativas de digitalização já adotadas na capital, como o sistema de georreferenciamento que permite às equipes localizar a UBS de referência e identificar qual equipe de Saúde da Família atende determinado território. A Prefeitura informa que Boa Vista possui 38 UBSs de referência e que a ferramenta de mapeamento substituiu consultas manuais e mapas impressos usados anteriormente. (Boavista RR)
O que muda para quem procura atendimento nas unidades de saúde
Para o morador, a principal dúvida é se um totem realmente pode diminuir a espera ou facilitar o atendimento. A resposta depende de como a tecnologia será integrada ao trabalho das equipes, porque a máquina não substitui enfermeiros, médicos ou outros profissionais responsáveis pela avaliação clínica. A própria lógica da Atenção Primária exige acolhimento e acompanhamento individualizado, especialmente em situações que envolvem gestantes, crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes que precisam de acompanhamento contínuo. As UBSs de Boa Vista oferecem serviços como consultas, vacinação, acompanhamento de diferentes grupos e ações de prevenção, funcionando como porta de entrada da rede municipal. (Boavista RR)
Outro ponto importante é que a tecnologia precisa ser pensada para facilitar, e não dificultar, o acesso. Nem todo usuário possui familiaridade com equipamentos digitais, e parte da população pode precisar de auxílio para utilizar o sistema. Por isso, a presença dos profissionais continua essencial durante a implantação. A experiência de Boa Vista com outras ferramentas digitais na saúde mostra justamente essa combinação entre tecnologia e trabalho humano: o sistema de georreferenciamento, por exemplo, foi desenvolvido para apoiar os profissionais e melhorar o planejamento das ações da Secretaria Municipal de Saúde. (Boavista RR)
Por que a digitalização da saúde pode ser importante para Roraima
A discussão ganha dimensão maior quando considerada a realidade de Roraima. O Plano Estadual de Saúde 2024-2027 aponta que a concentração de serviços especializados em Boa Vista é uma característica da rede estadual, enquanto municípios do interior enfrentam limitações de infraestrutura e disponibilidade de determinados exames e profissionais. Essa realidade faz com que a organização dos serviços e o uso eficiente das informações tenham importância estratégica para o estado. Embora os novos totens sejam uma iniciativa municipal e estejam concentrados na capital, eles fazem parte de uma tendência mais ampla de digitalização que pode contribuir para uma gestão mais orientada por dados. (Saúde Roraima)
Roraima também já possui iniciativas estaduais que utilizam tecnologia para apoiar profissionais de saúde. O CIEVS-RR, por exemplo, mantém o Sentinela RR, um canal inteligente via WhatsApp baseado em protocolos oficiais de vigilância em saúde. A ferramenta fornece informações para profissionais e parceiros da rede, auxilia no encaminhamento de notificações e pode direcionar o usuário para atendimento humano quando necessário. Esses exemplos mostram que a tecnologia pode cumprir funções diferentes: enquanto um sistema ajuda a organizar o atendimento de pacientes, outro pode apoiar vigilância epidemiológica e comunicação entre serviços. (Vigilância em Saúde RR)
O desafio, portanto, não está apenas em instalar equipamentos, mas em transformar dados em atendimento melhor. Para isso, segurança das informações, acessibilidade, treinamento das equipes e acompanhamento dos resultados precisam fazer parte do processo. A tecnologia pode agilizar tarefas e ajudar na organização da rede, mas decisões clínicas continuam dependendo de profissionais habilitados e da avaliação individual de cada paciente.
Para quem vive em Boa Vista, a mudança representa mais um passo na digitalização de serviços públicos que antes dependiam exclusivamente de processos presenciais e manuais. O impacto real será percebido conforme os equipamentos forem incorporados à rotina das UBSs e os resultados forem acompanhados pela gestão. A experiência também pode servir como referência para discutir soluções tecnológicas voltadas a outros municípios de Roraima, principalmente quando o objetivo for reduzir barreiras de acesso e melhorar o planejamento. Mais do que substituir pessoas, a tecnologia pode ganhar valor quando usada para dar aos profissionais melhores informações e aos moradores um caminho mais organizado para buscar atendimento. (Roraima em Tempo)